30º colóquio da lusofonia PICO 2018 - de ChrónicAçores: uma circum-navegação vol. 2 (Ed Calendário de Letras) extraio:

Tivesse eu fôlego e iria ao mítico Pico da Atlântida submersa, cujo magnetismo me fascina ao ponto de desejar, vezes sem conta, mudar de armas e bagagens para este Triângulo Sagrado onde prometo fazer imolações e outros sacrifícios nas aras do destino. Não sendo das Bermudas este triângulo isósceles, que nunca escaleno obsceno, seria ótimo pousio final para as minhas cinzas quando chegar a estação de fazer como as cobras e trocar de pele. Despir a bela capa colorida terrena, de seis decénios, e vestir o cinzento das cinzas que seriam lançadas nesta lendária Atlântida de continentes submersos cujos picos vocês habitam.

Aqui, na Gruta das Torres senti-me um salteador da Arca perdida à sombra do Pico que, ora se esconde, ora se revela num jogo constante do gato e do rato, que entusiasma e arrebata. Sinto o sortilégio. O mágico cume tem um íman que atrai a visão e nos desconcentra, sempre insistindo para o contemplarmos nas suas mil e uma facetas alteradas a cada segundo.

Quero salientar que é uma honra estar aqui nesta ilha, feita de gente que ao longo dos séculos sempre soube arcar com todas as dificuldades e domar a lava com ferros e marrões, e amontoarem a pedra em maroiços”, monumentos num rendilhado de jarões, traveses e bocainas. tarefa hercúlea como tantas outras que as gentes do Pico empreenderam ao longo de cinco séculos de colonização da agreste ilha, sem esquecer a luta titânica que nos seus pequenos botes travaram durante um século contra a baleia e ora descobrem novas formas de vida.

Duma das vezes que aqui estive, em pleno centro de São Miguel Arcanjo, ao andar rumo à casa do escritor Cristóvão de Aguiar deparei com uma camioneta de passageiros, estacionada, aguardando o início de nova semana de trabalho. Ali me ocorreu a ideia peregrina de como seria culturalmente interessante a aventura de “pedir emprestada” a carripana, começar a percorrer as aldeias (ditas freguesias nas ilhas) e gravar as histórias que os passageiros fossem contando. A viagem não teria destino. Duraria tanto quanto as histórias dos seus passageiros. Não se cobrariam bilhetes. Pararia em todos os locais, para que contassem histórias e lendas do local onde paravam. Que livro maravilhoso não daria esse compêndio de histórias apanhadas ao acaso daqueles que tomassem o autocarro dos sonhos. Assim me despedi da ilha prometendo voltar com mais tempo.

Termino dizendo que esta é a magia da vossa ilha que se insinua como uma amante insaciada, mulher fatal capaz de marcar os destinos de todos os homens que têm a sorte de a encontrar.

VEJAMOS UMA SELEÇÃO DE VÍDEOS DO PICO:

0. Pico 1 slideshow 2007-2017 My magic Pico https://youtu.be/wGEFgjhFQqM

1. ABRIL 2016 https://www.lusofonias.net/a%C3%A7ores/pico/2183-2016-pico-abril-2016.html

2. O MEU LONGO DIAPORAMA DO PICO https://www.lusofonias.net/a%C3%A7ores/pico/1548-pico-03slideshow03-chrys-long-diaporama.html

3. SLIDESHOW DO CHRYS 2005-2011 https://www.lusofonias.net/a%C3%A7ores/pico/1039-2005-2011-pico-slideshow02-chrys-et-al,-m%C3%BAsica-de-carlos-medeiros.html

4. OUTRO  DO CHRYS ILHA DE MAGIA https://www.lusofonias.net/a%C3%A7ores/pico/769-pico-a-ilha.html

5. PICO TODA A MAGIA https://www.lusofonias.net/a%C3%A7ores/pico/637-a-magia-do-pico.html

E MUITOS MAIS EM https://www.lusofonias.net/a%C3%A7ores/pico.html?start=20

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